51 anos de INPE: camisa preta contra o desmonte
do Instituto
No
último dia 11, a comemoração dos 51 anos do INPE foi marcada por
protestos. O evento aconteceu no Auditório do Laboratório de
Integração e Testes – LIT e o objetivo da categoria foi
demonstrar sua contrariedade com relação a uma mudança pretendida
pelo MCTI, que tem sido vista com muita desconfiança pelo servidor.
Esse arranjo, que coloca o INPE subordinado à AEB, diferente do que
o Ministro Marco Antonio Raupp declarou durante o evento, não vem
sendo conduzida de forma transparente, haja vista a existência do
trâmite oculto de uma minuta de Decreto, datada de janeiro de 2012,
que não foi discutida com a categoria nem com o sindicato.
Para
piorar, o que deixou os servidores ainda mais apreensivos, foi a
publicação, no Diário Oficial da União, de uma Portaria, a qual
integra CPTEC e INMET, trazendo à tona um rol de preocupação, que
se apoia na tese de que o INPE será fragmentado. Por tudo isso, o
MCTI não tem o apoio dos funcionários do INPE. Cabe ressaltar que
nem mesmo o diretor do Instituto conhece o teor dessas mudanças, o
que reforça a reação da comunidade às pretensões do ministro.
Quando
o SindCT deu início à distribuição de camisetas pretas com os
dizeres “Não ao Desmonte do INPE”, houve um espontâneo
interesse da maioria dos servidores em vesti-las. Isto evidencia um
forte e consciente anseio por esclarecimentos acerca deste assunto,
por entender que tais mudanças têm potencial possibilidade de
afetá-lo em sua atividade e carreira. Durante o evento, o diretor do
INPE, Fernando Perondi cumprimentou cada um dos servidores,
representados pelos colaboradores que faziam 10, 15, 20 25, 30, 35,
40 e 45 anos de casa. Falou dos projetos importantes que foram
desenvolvidos pelo INPE durante os seus 51 anos, como os CBERS,
Amazônia I, os Sistemas Inerciais e diversos outros realizados ao
longo de toda sua história. E finalizou o discurso, dizendo:
“Dedicação é o aporte do futuro. Portanto, não esmoreçam”.
Em
seguida, o Ministro Marco Antonio Raupp parabenizou todos os
inpeanos, cumprimentou as autoridades, os representantes de órgãos
e institutos que estavam presentes na solenidade, destacou a
importância de cada um na geração de tecnologia e de conhecimento.
No momento em que o ministro estava citando os presentes, foi
questionado por servidores com relação à reestruturação
pretendida para o INPE.
Visivelmente
contrariado e em tom de desabafo, Raupp defendeu seu ponto de vista
com relação às tais mudanças, rebateu as críticas, dizendo
que não tem intenção em desmontar o INPE, mas confirmou que vai
colocá-lo subordinado à AEB, a exemplo do que acontece em outros
países. Entretanto, tal afirmação remete ao questionamento de
estrutura idealizado por ele, já que o INPE possui atividades que
não são da área espacial e que, portanto, não poderiam ficar
dentro da AEB.
Sobretudo, Raupp demonstra um anseio injustificável de tal propósito, pois não está claro os supostos problemas que ensejam as alterações almejadas por ele. O ministro insiste em afirmar que já discutiu o tema Reestruturação do INPE e está aberto às sugestões.
Sobretudo, Raupp demonstra um anseio injustificável de tal propósito, pois não está claro os supostos problemas que ensejam as alterações almejadas por ele. O ministro insiste em afirmar que já discutiu o tema Reestruturação do INPE e está aberto às sugestões.
Na
realidade, houve uma palestra promovida pelo SindCT, quando Raupp era
presidente da AEB e apresentou uma proposta de fusão entre os dois
institutos, INPE e AEB, criando um novo, na área espacial. Sua ideia
inicial apresentava também a intenção de unir a área espacial do
IAE, criando a “NASA brasileira”.
As
divisões do INPE que não guardassem relação direta com a área
espacial poderiam formar um outro instituto, equivalente ao também
americano, National Oceanic and Atmospheric Administration –
NOAA.
Com sua nomeação ao MCTI, aumenta sua autonomia sobre os
institutos e AEB. Aproveitando-se do novo cargo, o ministro agora
fala em “reestruturação do ministério” que, nada mais é, a
realização de seu sonho de criação de institutos nos moldes
americanos.
Diferente
do que afirma, desde sua nomeação ao ministério, Raupp não
colocou o assunto em pauta com os servidores do INPE, direção ou
sindicato em nenhuma oportunidade. O Ministro disse que está aberta
a discussão sobre a reestruturação. Então, o SindCT, em nome dos
servidores, requer ao ministro que venha discutir o assunto com toda
a categoria para que essa minuta e os propósitos dela sejam
desmistificados e possam dar lugar a um processo transparente.
O
diretor do INPE, Leonel Perondi, foi procurado pelo Jornal do SindCT,
mas não retornou o contato.
(Para
SindCT,17)
Nenhum comentário:
Postar um comentário